Diversão

Material distribuído durante alguns eventos do Projeto Contadores de Estórias:

Material de Colorir Agosto 2010_

Semana da Saúde

Material de Colorir Maio 2010

Material de Colorir EXPLORATORIUM

Material de Colorir Novembro 2010_Semana da Música

Material de Colorir Setembro 2010

Material de Colorir Junho 2011 e férias

Brincadeiras

Brincadeiras dos tempos da vovó, do papai, dos titios…não importa quando surgiram, mas fazem parte da infância de muitos de nós que hoje vivemos longe do nosso querido Brasil!

Boca do Forno
A Brincadeira da Boca de Forno é muito antiga. Nesta brincadeira uma pessoa é eleita como “o senhor” ,”chefe” , “Amo” ou “Mestre”, e esta pessoa é quem vai dar as ordens na brincadeira, enquanto os demais terão que cumprir as suas ordens. A brincadeira consiste no seguinte:

O chefe dá a ordem, que consiste em achar um determinado objeto. Os que não trouxerem o objeto pedido são obrigados a ‘pagar uma prenda’, que pode ser dançar uma música, imitar um bicho engraçado etc.
As palavras de ordem e de obediência são as seguintes:
Mestre :- Boca de Forno
crianças:- Forno!
Mestre : – Faz o que eu mando?
crianças: – Faço!
Mestre: – Se não fizer?
crianças: – Toma bolo!
Então o Mestre manda que as crianças peguem um objeto, que pode ser uma folha de árvore, entre outras coisas.

Cantigas de Roda
Para brincar as crianças fazem um círculo dando as mãos e giram na roda cantando até que seja mencionado o nome de uma delas. Esta, deixando as mãos das colegas, faz meia volta, dá-lhes as mãos e, de costas para o centro da roda, continua a caminhar. Novamente é cantada a primeira quadra, sendo escolhida a criança que estiver à esquerda daquela que virou. Quando todas estiverem de costas para o centro da roda, passa a ser cantada a quadra seguinte e, uma a uma, as crianças voltam à posição inicial.

Atirei o Pau no Gato
Atirei o pau no gatô-tô
Mas o gatô-tô não morreu-reu-reu
Dona Chicá-cá admirou-sê-sê
Do berrô, do berrô que o gato deu:
Miauuu!

Batata Quente
Nessa brincadeira, quanto mais crianças, melhor. As crianças devem sentar-se no chão formando uma grande roda. Uma bola, ou qualquer outro objeto adequado (leve, que não machuque) vai passando rapidamente de mão em mão. Enquando a “batata quente”, ou seja, o obejto muda de mãos as crianças cantam em voz alta:

—Passa, passa batatinha, batata quente já passou, quem ficar com a batata, pobrezinho se queimou.

A musiquinha pára na palavra ‘queimou’. Nesse instante, quem estiver segurando a ‘batata’, se queimou e tem que sair da roda. Repete-se a brincadeira até sobrar apenas o vencedor.

Caça, caça, caçador
Essa é muito divertida. O número de crianças contribui para que seja mais divertida ainda. Uma das crianças é escolhida para ser o caçador. Seus olhos são vendados e ela é colocado no meio de uma roda formada pelas outras crianças. Todos, menos o caçador, cantam uma musiquinha:

“Caça, caça, caçador
mas preste muita atenção!
Se o galo cantar,
você não caça mais não!”

Uma das crianças (previamente escolhida sem que o caçador saiba) canta imitando um galo, O caçador tem que adivinhar quem é. Se ele adivinhar, o galo sai da roda. Se ele errar, tem que pagar uma prenda.

Mandrake
Essa é bacana para se brincar numa situação em que as crianças tenham que ficar quietas por algum tempo, como numa viagem de ônibus por exemplo. Serve para brincar com pequenos grupos, de duas a quatro crianças.

Na hora de começar as brincadeiras, as crianças tem que fazer o contrato do Mandrake. O contrato pode ser inventado na hora. Pode ser um tipo especial de aperto de mão, por exemplo. Todo mundo que fez o contrato do Mandrake tem que seguir a regra da brincadeira, que também tem que ser combinada previamente. Assim, se a situação for de uma viagem por exemplo, pode se combinar o seguinte. O Mandrake tem poder quando aparecer uma vaca na paisagem. As crianças ficam atentas e quando alguem avistar uma vaca tem que apontar para alguem que está distraído e gritar “Mandrake”. O distraído então fica congelado (imóvel) até que o Mandrake decida que prenda ele terá que pagar. É divertido!

Trava-línguas
Trava-língua é uma brincadeira muito popular no nordeste brasileiro. Consiste-se num jogo de palavras que resulta numa frase onde a pronúncia é super difícil. Ao tentar dizer a palavra rapidamente, a língua enrola e o resultado é sempre engraçado. Aqui, alguns exemplos de trava língua:

‘O rato roeu a roupa do rei de Roma.’

‘O sabiá não sabia.
Que o sábio sabia.
Que o sabiá não sabia assobiar.’

‘O doce perguntou pro doce
Qual é o doce mais doce
Que o doce de batata-doce.
O doce respondeu pro doce
Que o doce mais doce que
O doce de batata-doce
É o doce de doce de batata-doce.’

‘Cinco bicas, cinco pipas, cinco bombas. Tira da boca da bica, bota na boca da bomba. Bote a bota no bote e tire o pote do bote.’

‘Três tigres tristes para três pratos de trigo. Três pratos de trigo para três tigres tristes.’

“Três tigres tristes no trigal comendo trigo”

“Num ninho de mafagafos,
tem cinco mafagafinhos,
quem desmafagafizar os mafagafos,
bom desmafagafizador será.”

“Num jarro há uma aranha.
Tanto a aranha arranha o jarro
como o jarro arranha a aranha.
Se a aranha arranha a rã,
se a rã arranha a aranha,
como a aranha arranha a rã?
Como a rã arranha a aranha?”

“O padre Pedro tem um prato de prata, o prato de prata não é de Pedro.”

“Una, duna, tena quetena, bico de pena, carapina, carapau,
conta bem que são dez.

“Embaixo da pia tem um pinto que pia,
quanto mais a pia pinga mais o pinto pia!”

Parlendas
As parlendas são versinhos recitados em brincadeiras de crianças. Possuem uma rima fácil e, por isso, são populares entre as crianças. Muitas parlendas são antigas e, algumas delas foram criadas há séculos. Elas fazem parte do nosso folclore brasileiro, pois representam uma importante tradição cultural do nosso povo. Aqui, alguns exemplos de parlendas:

‘Serra, serra, serrador! Serra o papo do vovô! Quantas tábuas já serrou?’

Uma delas diz um número e as duas, sem soltarem as mãos, dão um giro completo com os braços, num movimento gracioso.

Repetem os giros até completar o número dito por uma das crianças.’Enganei um bobo…
Na casca do ovo!’

‘Dedo Mindinho
Seu vizinho,
Maior de todos
Fura-bolos
Cata-piolhos.’

Histórias, lendas e poemas

A Lenda da Vitória Régia
Havia uma jovem índia que apreciava muito as estrelas e queria se transformar em uma delas. Ela acreditava que, para se tornar estrela, precisava ter contato com a lua.
Então, um belo dia, caminhou em direção aos picos das colinas.
Ao cair da noite, a lua surgiu com todo o seu esplendor, acompanhada de estrelas radiantes. A jovem índia, buscando tocar a lua, que refletida no lago naquele momento, se desequilibrou, caiu e desapareceu nas águas.
A lua, ao ver o que acontecera, ficou com pena da bonita jovem e resolveu, então, transformá-la em uma flor – Vitória-Régia, a estrela das águas, tão linda quanto as estrelas do céu e com um perfume inconfundível.

A Lenda da Mandioca
Mani era o nome de uma indiazinha de pele branca como o luar, que nasceu para um casal de índios tupis. Era muito mimosa e boazinha, mas nada comia. Por isso, foi definhando até que morreu, silenciosamente, em sua pequenina rede. Seus pais, arrasados, fizeram seu túmulo no interior da própria oca onde moravam. Regada a terra com lágrimas dos pais desolados e com a água pura de uma fonte próxima, eis que uma nova planta germina, rachando a terra com suas grossas raízes. Examinando-as, os índios logo perceberam que por baixo de uma delgada casca, essas raízes eram brancas como a pele da menininha morta e forneciam alimento raro e saudável que tornava os curumins que as comiam mais fortes e belos que os da outras tribos. A planta, que hoje é o principal alimento dos índios, começou a ser chamada de manioca… até mandioca.

A Lenda do Guaraná
Na tribo dos Maués, um lindo e bondoso curumim foi atacado na mata por Juruapari, espírito do mal que, assumindo a forma de uma serpente peçonhenta, o picou e matou. Tupã, o Deus supremo dos indígenas, vingou-se do espírito mau regando com suas chuvas o túmulo do indiozinho. Dali, germinou uma planta benéfica, cujos frutos se assemelhavam aos olhos grandes da criança desaparecida. Era o guaraná, que, a partir de então, passou a trazer saúde e felicidade para a tribo.

A Lenda do Uirapuru
Um pássaro de plumas vermelhas e canto perfeito é atingido por uma flecha de uma donzela apaixonada e se transforma num forte e belo guerreiro. Muito enciumado, um feio e aleijado feiticeiro toca uma linda música em sua flauta encantada e faz com que o jovem desapareça. Desde então, só restou a bela voz do guerreiro na mata. É muito difícil conseguir ver o uirapuru, mas com freqüência seu canto perfeito é ouvido.

A Lenda do Boto
Existem dois tipos de botos na Amazonia, o rosado e o preto, sendo cada um de diferente espécie com diferentes hábitos e envolvidos em diferentes tradições. Viajando ao longo dos rios é comum ver um boto mergulhando ou ondulando as águas a distância. Se diz que o boto preto ou tucuxi é amigável e ajuda a salvar as pessoas de afogamentos, mas dizem que o rosado é perigoso. Sendo de visão ineficiente, os botos possuem um sofisticado sistema sonar que os ajuda a navegar nas águas barrentas do Rio Amazonas. Depois do homem eles são os maiores predadores de peixes. A lenda do boto é mais uma crença que o povo costumava lembrar ou dizer como piada quando uma moça encontrava um novo namorado nas festas de junho. É tradição junina do povo da Amazônia festejar os Dias de Santo Antonio, São João e São Pedro. Em estas noites se fazem fogueiras e se queima foguetes enquanto se desfruta de comidas típicas e se dança quadrilhas e outras danças ao som alegre das sanfonas. As lendas contam que em estas noites, quando as pessoas estão distraídas celebrando, o boto rosado aparece transformado em um bonito e elegante rapaz, mas sempre usando um chapéu, porque sua transformação nao é completa, pois suas narinas se encontram no topo de sua cabeça fazendo um buraco. Como um cavalheiro, ele conquista e encanta a primeira jovem bonita que ele encontra e a leva para o fundo do rio, engravidando-a e nunca mais voltando para vê-la. Durante estas festividades, quando um homem aparece usando um chapéu, as pessoas pedem para que ele o retire para que não pensem que ele é um boto. E quando uma jovem engravida e não se sabe quem é o pai, é comum dizerem ser ‘do boto’. (Extraído de http://ibahia.globo.com/sjp2005/lendas.asp)

Begorotire , o Homem Chuva
Begorotire era um índio feliz. Certo dia, porém, havendo sido injustiçado na divisão da caça, ficou furioso, decidindo que sairia à procura de outro lugar para viver. Cortou os cabelos da esposa e da filha, pintando toda a família com uma tintura preta que havia retirado do fruto do jenipapo. Pegou um pedaço de madeira pesada e resistente, fazendo a primeira borduna Caiapó, com o cabo trançado em preto e a ponta tingida com sangue da caça. Chegou então ao alto de uma montanha, levando sua arma, e começou a gritar. Seus gritos soaram como fortes trovões. Girou fortemente a borduna no ar e de suas pontas saíram relâmpagos. Em meio ao barulho e às luzes, Begorotire subiu aos céus. Os índios assustados atiraram suas flechas, mas nada conseguiu impedir que o índio desaparecesse no firmamento. As nuvens, também assustadas, derramaram chuva. Por isso Begorotire tornou-se o homem chuva. Tempos depois, levou toda a família para o céu, onde nada lhes faltava, e de lá muito fez para ajudar os que na terra ficaram. Juntos sementes de suas fartas roças, secou-as sobre o girau, entregando-as a uma filha para trazê-las. A índia desceu dentro de uma cabaça enorme amarrada a uma longa corda, tecida com as próprias ramas do vegetal. Caminhando pela floresta, um jovem encontrou a cabaça, amarrou-a com os cipós e pedaços de madeira e, com ajuda dos amigos levou-a para a aldeia. A mãe, abrindo a cabaça, encontrou a índia, a filha da chuva, que estava magra e com longos cabelos, por lá haver permanecido muito tempo. A jovem foi retirada e alimentada, e teve seus cabelos aparados. Ao ser indagada, a filha da chuva explicou por que viera, entregando-lhes as sementes enviadas por seu pai e deixando a todos muito felizes. O jovem que encontrou a cabaça casou-se com a moça, passando esta a morar novamente na terra. Com o tempo, resolveu visitar os pais. Pediu ao esposo vergasse um pé de Pindaíba, trazendo a copa até o chão. Sentou-se sobre ela e, ao soltarem a árvore, a índia foi lançada ao céu. Ao retornar, trouxe consigo toda a família e cestos repletos de bananas e outros frutos silvestres. Begorotire ensinou a todos como cultivar as sementes e cuidar das roças, regressando depois ao seu novo lar. Ate hoje, quando as plantas necessitam de água, o homem chuva provoca trovões, fazendo-a cair sobre as roças para mantê-las sempre verdes e fartas. Fonte: Escola Vesper (Estudo Orientado)

O Negrinho do Pastoreio
É uma lenda meio africana meio cristã. Muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil. Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros recém-comprados. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. ‘‘Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece’’, disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo. Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.
Fonte: http://www.arteducacao.pro.br

O Saci Pererê
A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.É uma criança, um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Existem 3 tipos de Sacis: O Pererê, que é pretinho, O Trique, moreno e brincalhão e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê cujo assobio melancólico dificilmente se sabe de onde vem.Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele não atravessa córregos nem riachos. Alguém perseguido por ele, deve jogar cordas com nós em sem caminho que ele vai parar para desatar os nós, deixando que a pessoa fuja. Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.
Nomes comuns: Saci-Cererê, Saci-Trique, Saçurá, Matimpererê, Matintaperera, etc. Origem Provável: Os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando do Século XIX, em Minas e São Paulo , mas em Portugal há relatos de uma entidade semelhante. Este mito não existia no Brasil Colonial. Entre os Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho preto de uma só perna, que aparecia aos viajantes perdidos nas matas. Também de acordo com a região, ele sofre algumas modificações:
Por exemplo, dizem que ele tem as mãos furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Outros dizem que ele faz isso com uma moeda.
Há uma versão que diz que o Caipora, é seu Pai. Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis, costumam se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer. Ele tem o poder de se transformar no que quiser. Assim, ora aparece acompanhado de uma horrível megera, ora sozinho, ora como uma ave.
Fonte:http://www.arteducacao.pro.br

A festa no céu
(Estória popular, aqui contada por Fabiano Queiroga)
O papagaio, que é bicho que gosta muito de falar, estava fofocando com a cegonha a respeito de uma grande festa que haveria no céu. O tuiuiú, que também adora uma novidade, escutou a conversa e saiu por aí espalhando. Embora o papagaio às vezes goste de contar potocas, essa história da festa no céu era mesmo verdadeira. Acontece que só os animais alados é que seriam convidados. Imagine você, como é que por exemplo as vacas iriam para uma festa no céu se não têm asas para voar. Mesmo que permitissem às vacas que embarcassem num avião, como é que as coitadas iriam descer nas nuvens? Ainda mais com aquele peso todo… Portanto, mesmo morrendo de inveja as vacas e os outros bichos se conformaram em perder a festança. Acontece que quando ficou sabendo da novidade, o sapo disse logo que também iria participar da festa. O tatú, que é quem tinha comentado da festa com o sapo caiu na gargalhada, no que foi imitado pelo resto da bicharada. — Compadre sapo, você ficou doido? Como vai à festa se não pode voar?— Você verá, compadre tatú. E todos vocês que também estão rindo ficarão surpresos com o meu plano. A festa estava marcada para o domingo. No sábado à noitinha, o sapo foi até o casa do urubu bater um papo. Conversaram bastante e depois de um certo tempo o sapo se despediu.— Bem, meu amigo urubu, já estou indo porque tenho muito o que andar… ou melhor tenho muito o que pular porque o brejo é muito longe e não quero chegar em casa tarde. Amanhã tenho que acordar cedo porque é dia de festa.— Mas o amigo sapo vai mesmo a essa festa? Como vai se não pode voar?— Eu tenho meus segredos, amigo urubu. A gente se vê na festa. O urubu, achou muita graça pois ainda achava que o sapo estava brincando ou havia endoidado de vez. Sendo assim os dois se despediram, mas o sapo ao invés de ir para casa, entrou novamente na casa do urubu sem que este percebesse e se meteu dentro da viola do urubu, que estava num canto da sala. Ficou lá calado, sem fazer nem um barulhinho.No dia seguinte bem cedo, o urubu pegou sua viola e foi para a festa sem saber que carregava consigo um passageiro. Já na festa, enquanto cumprimentava as outras aves, o Urubu nem, percebeu o sapo saindo de fininho de dentro da viola. Logo o sapo estava no meio do salão de baile botando pra quebrar e dançando muito. É claro que todas as aves ficaram espantadíssimas. Como é que o sapo tinha conseguido entrar na festa? Fizeram muitas perguntas, mas o sapo nada falou. Já o urubu, não gostou nadinha de ver o sapo lá pois tinha muita inveja de sua esperteza. Quando a festa estava terminando, as aves começaram a voar de volta pra casa e o sapo, é claro, tratou de se esconder de novo na viola do urubu antes que ficasse sem carona pra voltar. A festa terminou no dia seguinte, no alvorecer. O urubu, cansado de tanta farra, pegou sua violinha e começou sua viagem de volta. Lá pelas tantas, como estava cansado, achou que a viola estava muito pesada e resolveu verificar o instrumento, dando de cara com o sapo todo escondidinho lá dentro, no bojo. — Ahá. Eu sabia, amigo sapo, que você folgado como é ia se aproveitar de alguem para poder ir a essa festa. E eu aqui carregando peso pra você entrar numa festa que nem foi convidado?Dito isso o urubu emborcou a viola, fazendo com que o sapo caisse daquela altura toda. Enquanto despencava, o sapo, muito assustado dizia:— Ai meu Deus agora vou pro Beleléu. Mas se dessa escapar nunca mais me meto no céu.Não teve reza que resolvesse e o sapo se esborrachou nas pedras lá embaixo, ficando partido em dezenas de pedaços. Nossa senhora, que a tudo assistia, teve muita pena do pobrezinho. Com muito carinho Ela juntou os pedaços e os costurou, remendando o sapo que viveu novamente.Por isso, meus amigos, é que até hoje o couro do sapo é dividido em vários quadrados, como se fossem remendos. E é por isso, que até hoje, o sapo só vai em festa quando é convidado e assim mesmo só se for aqui no chão.

A galinha ruiva
Um dia uma galinha ruiva encontrou um grão de trigo.
– Quem me ajuda a plantar este trigo? – perguntou aos seus amigos.
– Eu não – disse o cão.
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o porquinho.
– Eu não – disse o peru.
– Então eu planto sozinha – disse a galinha. – Cocoricó!
E foi isso mesmo que ela fez. Logo o trigo começou a brotar e as folhinhas, bem verdinhas, a despontar. O sol brilhou, a chuva caiu e o trigo cresceu e cresceu, até ficar bem alto e maduro.
– Quem me ajuda a colher o trigo? – perguntou a galinha aos seus amigos.
– Eu não – disse o cão.
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o porquinho.
– Eu não – disse o peru.
– Então eu colho sozinha – disse a galinha. – Cocoricó!
E foi isso mesmo que ela fez.
– Quem me ajuda a debulhar o trigo? – perguntou a galinha aos seus amigos.
– Eu não – disse o cão.
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o porquinho.
– Eu não – disse o peru.
– Então eu debulho sozinha – disse a galinha. – Cocoricó!
E foi isso mesmo que ela fez.
– Quem me ajuda a levar o trigo ao moinho? – perguntou a galinha aos seus amigos.
– Eu não – disse o cão.
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o porquinho.
– Eu não – disse o peru.
– Então eu levo sozinha – disse a galionha. – Cocoricó!
E foi isso mesmo que ela fez. Quando, mais tarde, voltou com a farinha, perguntou:
– Quem me ajuda a assar essa farinha?
– Eu não – disse o cão.
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o porquinho.
– Eu não – disse o peru.
– Então eu asso sozinha – disse a galinha. – Cocoricó!
E foi isso mesmo que ela fez. A galinha ruiva assou a farinha e com ela fez um lindo pão.
– Quem quer comer esse pão? – perguntou a galinha.
– Eu quero! – disse o cão.
– Eu quero! – disse o gato.
– Eu quero! – disse o porquinho
– Eu quero! – disse o peru.
– Isso é que não! Sou eu quem vai comer esse pão! – disse a galinha. – Cocoricó!
E foi isso mesmo que ela fez.

O Pulo do Gato
(Versão de Fabiano Queiroga)
Dona onça nunca se conformou com a agilidade do gato. Embora fossem da mesma família, ela nunca soube pular tão bem quanto seu primo felino. Um dia, ficou observando o gato praticar seus pulos e cambalhotas e pensou “vou pedir para o primo gato me ensinar esses truques. Assim, serei uma caçadora tão boa quanto ele!”Com muito jeitinho e conversa mole, Dona onça convenceu seu primo gato a ensinar-lhe todos os seus truques. Assim, dia e noite o gatinho foi ensinando tudo o que sabia. Saltos mortais, saltos de costas, roscas tríplices invertidas, parafusos carpados, pulos verticais, horizontais e laterais, cambalhotas de frente, de lado, e de través e muitos outros truques que ele tinha aprendido nas aulas de capoeira do Mestre Bira.Dona onça, boa aluna, aprendeu tudinho e foi pra casa praticar. Ficou craque e tão ágil quanto o gato. Um dia, Dona onça que adorava ser a única a saber das coisas, resolveu que ia dar um sumiço no seu primo gato. Assim, além de saborear um belo jantar, ela seria o único bicho a saber dos truques pulantes do gato. preparou um plano e ficou escondida esperando o gato passar. Quando o bichano lá vinha todo cheio de charme, sem nada desconfiar, a pintada pulou em cima dele e foi direto tentando gravar as garras em seu pescoço. Só que o gato, malandro todo, escapou da onça dando um salto diferente. Parecia mais uma acrobacia de capoeira o salto que o bichano deu, fazendo com que o mesmo caísse tranquilamente a uma distância bem segura da Dona onça. Dona onça, toda sem graça, foi logo dizendo: “que é isso primo, asustei você? E que salto é esse que você não me ensinou?” Ao que o gato respondeu: “pois é prima onça, não ensinei nem ensino. É justamente o esse salto que tem me mantido vivo!”Moral da história: o mestre nunca ensina tudo o que sabe!

Ou Isto ou Aquilo
Cecília Meireles
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

A Galinha-D’Angola
Vinícius De Moraes
Coitada
Da galinha-
D’Angola
Não anda
Regulando
Da bola
Não pára
De comer
A matraca
E vive
A reclamar
Que está fraca:

— “Tou fraca! Tou fraca!”

Romance de Cabiúna
Ribeiro Couto
Cabiúna era menino
E dizia: “Eu vou na Europa”
A mãe dele respondia:
“– Fica quieto, Cabiúna.
Cabiúna, não me amola.” A mãe dele não gostava.
Repreendia sempre, repreendia. . .
De dia ela costurava
Em frente ao mar, na janela.
E, costurando, cantava. “ – Minha mãe, eu cresço logo,
Fico grande e vou na Europa.
Deixa eu ir, minha mãezinha? ” “ – Que menino sem cabeça! ”
Sai daqui, não me aborreça.”
“ – Deixa eu ir, minha mãezinha. . .” Mas toda noite ela entrava
No quarto em que ele dormia
E, junto dele, chorava.
Cabiúna ficou grande,
Ficou grande e foi-se embora.
Trabalhando de taifeiro
Num navio brasileiro. Aconteceu que uma noite,
Junto de um cais estrangeiro
Virou criança: chorava.
Alguém, passando, assobiava
Uma canção parecida
Com as que a mãe dele cantava.

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